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🔴A origem dos sobrenomes mais comuns do Brasil🔴

🔴A origem dos sobrenomes mais comuns do Brasil🔴









O sobrenome Silva, que em latim significa selva, foi trazido pelos portugueses com a colonização. Sendo atribuído àqueles que não traziam consigo um nome de família ou aqueles que não se sabia ao certo de que cidade ou região procedia, se espalhou rapidamente pelo território brasileiro. O registro mais antigo desse sobrenome no Brasil é o do alfaiate Pedro da Silva datado de 1612. Muitos escravos após a “Lei Áurea” também adotaram o sobrenome Silva para começar as suas vidas como libertos. Nos primeiros anos do Brasil, a Igreja Católica fazia os registros de nascimento, apenas com o prenome da criança, sem um sobrenome . Foi somente no século XIX que os registros civis tornaram-se padrão no Brasil e passaram a incluir sobrenomes nas certidões de nascimento. Até a abolição da escravidão em 1888, os escravos também não tinham sobrenomes. Devido a colonização, uma grande parte das famílias no Brasil possue sobrenome de origem portuguesa. E da mesma forma que em alguns outros países esses sobrenomes surgiram das seguintes maneiras:


Em tempos antigos era uma prática comum as filhas receberem o sobrenome da mãe e os homens o do pai. Em casos raros, os rapazes podiam receber o sobrenome da mãe, por exemplo, se não tivessem pai, ou as moças receber o do pai, no caso da família do pai ser mais distinta do que a da mãe. Na língua portuguesa, sobrenomes como Antunes (filho de Antonio), Alves (filho de Álvaro), Fernandes (filho de Fernando), Gonçalves (filho de Gonçalo), Nunes (filho de Nuno), Pires (filho de Pedro), Rodrigues (filho de Rodrigo) são patronímicos onde a terminação -es significa “filho de”. O sobrenome patronímico também podia ser usado da seguinte maneira: Pedro João significando Pedro, filho de João. Como exemplo de sobrenomes matronímicos teríamos: Antonio Mariano, Antonio filho de Maria, ou no caso das filhas: Maria Isabel, significando Maria, filha de Isabel. Alguns sobrenomes brasileiros, como alguns antigos sobrenomes portugueses, são sobrenomes que fazem referência a um lugar onde o ancestral que o utilizou nasceu ou viveu, ou a acidentes geográficos perto de onde viveu. São sobrenomes como: Almeida, Azevedo, Braga, Barros, Brasil, Bahiense, Campos, Cardoso, Correia, Castro ( castelo antigo ), Costa, Fontes , Guimarães , Magalhães , Macedo, Matos, Pedreira, Queirós, Ribeiro, Rocha, Siqueira ou Sequeira (lugar seco), Serra, Souza, Teixeira, Valle. Alguns topônimos são de origem indígena como: Jatobá, Parahyba , Palmeira, Pitanga, Pitangui, Suassuna.

No Brasil é muito comum os sobrenomes com significado religioso. Esses sobrenomes surgiram principalmente em razão do abandono de crianças nos orfanatos e instituições religiosas, muito comum na época. Essas crianças geralmente eram batizadas com o nome do santo relacionado ao dia em que eram encontradas ou batizadas. Também era prática comum uma pessoa ao se converter ao catolicismo alterar o sobrenome como forma de demonstrar a sua nova fé. No caso das crianças do sex6 feminino, o primeiro nome de escolha geralmente era Maria seguido de um dos títulos da Virgem Maria:


Maria da Anunciação, Maria da Consolação, Maria da Graça, Maria Imaculada, Maria do Céu, etc. Com a imigração de pessoas vindas de outros países (Itália, Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Polônia, Líbano, China, Japão e outros) a diversidade de sobrenomes no Brasil aumentou. Alguns sobrenomes estrangeiros tiveram a grafia alterada durante muitas gerações e hoje não podem ser reconhecidos nos seus países de origem, como o sobrenome Collor (do alemão Koeller). Entre esses sobrenomes podemos citar Maria da Conceição e Maria de Jesus, onde Conceição e Jesus fembora sendo prenomes foram dados como sobrenomes em alguns casos onde as crianças não tinham um nome de família.


No Brasil, certos descendentes de pessoas famosas às vezes utilizam o nome e o sobrenome de um ancestral como um sobrenome composto, permitindo que eles sejam facilmente identificados como descendentes do ancestral famosos. São sobrenomes como Ruy Barbosa, Vital Brasil, Miguel Pereira. Você pode saber mais sobre o sobrenome da sua família observando os padrões na sua árvore genealógica.


Alguns sobrenomes de pessoas que vieram de Portugal, são de antepassados judeus, os quais usavam tais sobrenomes, para escaparem da inquisição, já que ocatólicaos reis da época, sendo católicos, não admitiam a religião judaica, impondo que os judeus escolhessem entre a sua religião ou morrer.


ALMEIDA

1.312.266 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Sobrenome português, vem dos termos árabes “a” (al) “mesa” (meida). No sentido geográfico, significa algo como “planalto”, ou “solo plano”. Um dos registros mais antigos é de João Fernandes de Almeida, que em 1258 fundou uma aldeia com esse nome, na região de Azurara da Beira (que hoje é a cidade portuguesa de Mangualde). Além do Brasil e Portugal, há muitos Almeidas em Angola.


CAMARGO


Camargo é um sobrenome toponímico espanhol, com origem no vale de Camargo, em Santander, Cantabria. ... Camargo é mencionado como nome de família desde o século 13. Entre os mais célebres portadores do sobrenome está o do navegador espanhol Alonso de Camargo.


ALVES


2.264.282 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Esse é um sobrenome patronímico, ou seja, formado a partir do “nome do pai” – na origem, Alves é uma abreviação de Álvares, ou “filho de Álvaro”. Duas interpretações são consideradas na origem latina do termo álvaro: Al wais, “o que tudo vigia, cuida, protege, defende”, ou “totalmente sábio, precavido”; Alt-war, “casa velha”, ou Alti-hari, “guerreiro, defensor dos elfos”.


ANDRADE


920.582 brasileiros(as) têm esse sobrenome


A origem do sobrenome Andrade


A origem do sobrenome Andrade Ana Matsuaki e Rômolo/Mundo Estranho


Na origem dos Andrades, a variante Andrada também é considerada, mesmo que seja menos usual no Brasil. A base desse sobrenome vem de uma antiga família originária da Galícia, na Espanha, cujas terras ficavam na Vila de Andrada, entre Ferrol e Villalba. Diversas vezes, os Andrades estiveram ligados aos Freires, fazendo com que esses sobrenomes fossem quase indissociáveis – algo como Andrade Freire ou Freire de Andrade.


BARBOSA


1.061.913 brasileiros(as) têm esse sobrenome


De uma ilustre e antiquíssima linhagem portuguesa, esse sobrenome faz referência a um lugar com muitas barbas de bode ou barbas de velho, uma espécie de planta. O nome deriva da Quinta e Honra de Barbosa, na freguesia portuguesa de São Miguel das Rãs. Dom Sancho Nunes de Barbosa foi uma das primeiras pessoas com esse sobrenome, registrado no ano de 1130.

BARROS


563.558 brasileiros(as) têm esse sobrenome


O 49º sobrenome mais comum do Brasil é inspirado nas características da região onde foi criado – provavelmente um local com bastante lama, dado o significado dessa palavra espanhola. Pesquisas mostram que o primeiro a adotar o sobrenome teria sido um membro da família de Haro, um dos Senhores da Biscaia, organização política espanhola que existiu até o século 17.


BATISTA


631.433 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Sobrenome de natureza religiosa que deriva do termo grego “baptisté”, “o que batiza”, depois convertido para o latim “Baptista”. São João Batista, que batizou Jesus Cristo, é uma das referências mais antigas ao termo, que se tornou um nome composto muito utilizado nas sociedades cristãs. Depois disso, o nome tornou-se um sobrenome de diversas famílias, sem que exista relação de parentesco entre elas.


BORGES


637.698 brasileiros(as) têm esse sobrenome


A origem do sobrenome Borges


A origem do sobrenome Borges Ana Matsuaki e Rômolo/Mundo Estranho


O escritor argentino Jorge Luis Borges dizia que seu sobrenome tinha origem portuguesa. Certamente é muito usado em Portugal, mas não há confirmação de que ele tenha raízes lusitanas. Na verdade, sua origem é incerta, ainda que diversos genealogistas o relacionem com a cidade de Bourges, na França, onde há registros do sobrenome desde o século 14.


CAMPOS


602.019 brasileiros(as) têm esse sobrenome


O sangue latino fala bem alto entre os Campos. Essa família tem origem em uma comarca da Antiguidade conhecida como Campi Gotorum, que compreendia o que depois se chamou de “Terra de Campos”, pertencente às províncias de Palencia, Leão e Valladolid (e que hoje é parte da Espanha). No Brasil, o registro mais antigo desse sobrenome é bizarro: em março de 1669, o fazendeiro Manoel de Abreu Campos foi condenado à morte pelo “crime” de ser judeu.


CARDOSO


764.528 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Esse sobrenome é derivado de uma planta chamada cardo, pois remete ao local onde ela era encontrada em Portugal. Cardo, por sua vez, deriva do latim “cardùus” e significa “fazer sinal com a cabeça”, em alusão à flor de forma oval que surge no caule da planta. A cardo cresce em locais rochosos, de maneira selvagem ou cultivada. Em Portugal, faz parte da flora da Serra da Estrela e é muito usada ainda hoje na fabricação de queijos, por causa da sua ação coagulante.

CARVALHO


1.372.398 brasileiros(as) têm esse sobrenome


De origem portuguesa, esse sobrenome surgiu na vila homônima localizada na diocese de Coimbra, adotado por Gomes de Carvalho, que viveu em meados do século 13. Carvalho é uma palavra de origem controversa, possivelmente pré-romana, usada para nomear diversas árvores e arbustos do gênero Quercus. Nomes de plantas e animais são geralmente associados a imigrantes judeus, mas, segundo alertam alguns estudiosos, é equivocado cravar uma origem só pelo sobrenome.


CASTRO


568.392 brasileiros(as) têm esse sobrenome


A palavra castro tem origem pré-romana e significa “castelo”. Como sobrenome, porém, traz uma raiz espanhola, originária de uma das famílias mais nobres da Península Ibérica – e talvez uma das mais bem documentadas. Desde o século 13, vários membros da família Castro foram casados com princesas de linhagens reais hispânicas, o que fez com que seu poder sóciopolítico fosse equiparado ao dessas famílias, principalmente depois do século 14.


COSTA


1.690.898 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Não é possível afirmar que todos os brasileiros com esse sobrenome sejam parentes, pois várias famílias adotaram o termo devido à origem geográfica: o sobrenome remete às pessoas que nasciam em locais próximos ao mar, na “costa”. Registros mostram que esse sobrenome também foi usado por uma família da nobreza medieval portuguesa, possivelmente por causa de Nicolau Kosta, oficial de origem grega que viveu no início do século 13. Outros autores vão mais longe e apontam a herança da região Quinta da Costa, na comarca de Guimarães, no tempo de dom Afonso Henriques, primeiro rei português.


DIAS


1.014.659 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Sobrenome de origem lusoespanhola, é patronímico de Diogo ou Diego, ou seja, faz referência aos filhos de pessoas com esses nomes. Diogo, curiosamente, é uma abreviação de Santiago, que teve alterações para Sant-Yago e Tiago até, finalmente, chegar a Diogo (em espanhol, Diego). Mais tarde, diversas famílias adotaram Dias sem seguir essa lógica e, portanto, sem relação alguma de parentesco.


DUARTE


498.879 brasileiros(as) têm esse sobrenome


O significado desse sobrenome (que inclui a variante Eduarte) seria algo como “filho de Duarte”, já que ele também é um nome próprio. O termo, por sua vez, chegou ao Brasil como Eduardo. Dom Duarte, conhecido por “o Eloquente”, além de fazer uso desse nome ajudou a torná-lo famoso, após chegar ao trono de Portugal, em 1433.

FREITAS


777.947 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Esse sobrenome surgiu do termo latim “fractus”, que significa “pedras quebradas”, e tem natureza geográfica, por conter características do local onde foi criado, lá em Portugal. Autores questionam que fracta pode não significar exatamente “rachada”, mas algo no sentido metafórico. Há quem admita o significado de brecha, ou abertura, interpretado como sinônimo de desfiladeiro. Registros ainda de 1059 mostram que o sobrenome originou as versões Frectas e Fleitas.


FERNANDES


1.228.428 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Somos “filhos de Fernando” é o significado desse sobrenome, que ao longo dos anos assumiu as formas Fernandici, Fernandiz, Fernandez e, a mais usual no Brasil, com “s” no final. Dos primeiros anos de colonização até hoje, esse sobrenome ganhou boa parte do território brasileiro, com famílias de origem portuguesa, espanhola, argentina, uruguaia, paraguaia, entre outras. Além disso, índios, africanos e cristãos-novos também adotaram o sobrenome Fernandes.


FERREIRA


2.365.562 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Sobrenome de origem geográfica com raiz no termo em latim ferraria, que significa “jazida de ferro”, em referência aos locais em que os romanos encontravam o minério. A palavra latina ainda pode trazer o sentido de “oficina” e gerou variantes como o sobrenome Ferrara, na Itália. No Brasil, Ferreira é o 6º sobrenome mais comum hoje em dia, e o 3º em Portugal.


GARCIA


516.591 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Provavelmente tem origem na palavra basca “gartzia”, que significa “jovem”. Garcia foge à regra do sufixo “es”, no idioma português, ou “ez”, em espanhol, para designar “filho de” (como ocorre com o termo Garcez). Na Espanha, Garcia é o sobrenome mais comum do país, e o 2º da Guatemala e do México.


GOMES


1.697.130 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Esse é outro exemplo de patronímico, uma forma frequente na formação de sobrenomes na Idade Média, indicando a origem paterna da pessoa. Hoje, Gomes é considerado até um nome próprio, mas em desuso. Com raízes portuguesas e espanholas, já foi registrado como Gomizi, Gomiz, Gomez e Güemes. Genealogistas colocam como provável origem uma abreviação do visigodo Gomoarius, que significa “homem de guerra”. Há muita gente com esse sobrenome em Bangladesh.


GONÇALVES


733.079 brasileiros(as) têm esse sobrenome


De uma maneira simples e direta, esse sobrenome significa “filho de Gonçalo”. Já o nome próprio Gonçalo, por sua vez, tem origem germânica, e pode ter sido formado pelas locuções gundi, “luta”, e salo, “escuro”, gerando o significado de “cego pela luta”, ou “salvo da luta”. É o 36º sobrenome mais comum no Brasil, com famílias vindas de Portugal, Colômbia, Espanha, Paraguai e Argentina, entre outros países.

LIMA


2.020.288 brasileiros(as) têm esse sobrenome


A origem dos Limas está muito distante do nome da capital do Peru. Antes de se estabelecer como sobrenome, o termo era voltado aos originários da região do rio Lima, que nasce no sul da Espanha e deságua no Atlântico ao Norte de Portugal. De origem pré-romana, a raiz desse termo está ligada às regiões de Lemos (Monforte de Lemos, na Galícia) e Lamego (Portugal). É o 9º sobrenome mais frequente no Brasil.


LOPES


1.247.269 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Derivado do nome próprio Lopo, Lopes significa “lobo” (o animal), termo extraído do latim “lupu”. Com origem luso-espanhola, é o sobrenome mais comum em Cabo Verde – a versão Lopez é o 3º sobrenome mais popular do México e da Colômbia, e o 5º da Espanha. Foi um sobrenome adotado também por judeus ibéricos convertidos, desde o batismo forçado à religião cristã, a partir de 1497. No Brasil, famílias indígenas também passaram a usar esse sobrenome, o 16º mais comum por aqui.


MACHADO


805.215 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Esse sobrenome de origem portuguesa faz referência à ferramenta de corte homônima. Segundo historiadores, dom Mendo Moniz foi quem deu início à linhagem, ao destruir com um machado as portas do Castelo de Santarém, em 1147, para combater os mouros. No Brasil, Machado é o 31º sobrenome mais comum – o primeiro registro é de 1888, quando o escravo Vicente Pereira Machado tornou-se um homem livre e recebeu o sobrenome do dono da propriedade em que vivia, no Espírito Santo.

MARQUES


805.215 brasileiros(as) têm esse sobrenome


O sufixo “es” entrega a origem patronímica desse sobrenome – aquela que tem relação com a filiação da pessoa. Marques, portanto, significa o “filho de Marco” (ou Marcos, a forma mais frequente por aqui). Em Portugal, onde surgiu, Marques é o 12º sobrenome mais comum do país. No Brasil, está na 27ª posição. Entre as famílias brasileiras mais antigas está a de Pedro Marques Rebelo, registrado por volta de 1695.


MARTINS


1.499.595 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Outro sobrenome que deriva de nomes próprios, com origem nos nomes Martinho, ou Martim. Com essa forma de nomeação, muitas famílias adotaram Martins como sobrenome, sem qualquer laço de consanguinidade. Martim, por sua vez, vem do latim martinus, “homem marcial, belicoso, guerreiro”, além de ser gentílico de Marte, o deus da guerra. No Brasil, Martins é o 13º sobrenome mais comum. Em Portugal, é o 7º.


MEDEIROS


489.800 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Trata-se de mais um sobrenome português, com prováveis raízes toponímicas, isto é, extraídas do local onde foi criado. Uma das origens do termo leva a uma localidade homônima: os naturais da região portuguesa receberiam o sobrenome “de Medeiros”. Outra origem pode resgatar o termo “meda”, que significa um agrupamento de feixes de trigo ou palha – medeiro seria, portanto, um local com muitas medas, uma espécie de estábulo.

MELO


667.955 brasileiros(as) têm esse sobrenome


O 41º sobrenome mais comum do Brasil tem origem portuguesa. Ele faz referência ao latim “merulu”, que no idioma português evoluiu para “melro”, nome de uma das espécies de aves mais comum em Portugal. O melro-preto (Turdus merula), por exemplo, está se tornando muito abundante em Lisboa e em outras cidades, tomando conta de jardins, telhados e antenas de casas. Além de Brasil e Portugal, o sobrenome Melo também é comum na Colômbia e em Angola.


MENDES


784.721 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Esse sobrenome de origem luso-espanhola surgiu do nome próprio Mendo, para indicar a linhagem dos filhos de pessoas com esse nome. Porém, muitas famílias adotaram o sobrenome por outras razões, gerando variantes como Menendici, Menendizi, Menendiz e Mendez. Mendes é o 32º sobrenome mais comum no Brasil e o 3º mais popular nesse mesmo ranking em Guiné Bissau.


MIRANDA


529.486 brasileiros(as) têm esse sobrenome


O sobrenome Miranda, considerado muito antigo e de natureza espanhola, é um derivado da palavra “mirar”, aplicada a um lugar com bela vista. É equivalente a Mirandes, Miralta e Miralda, pois todos esses sobrenomes compartilham linhagem, história e brasão. Foi também usado por judeus na Espanha e em Portugal. No Brasil, é o 50º sobrenome mais comum.


MONTEIRO


583.465 brasileiros(as) têm esse sobrenome


A origem do sobrenome Monteiro


A origem do sobrenome Monteiro Ana Matsuaki e Rômolo/Mundo Estranho


Uma lenda intrigante envolve a origem do sobrenome Monteiro. Ela conta que no século 14, o rei espanhol Alfonso XI correu grande perigo ao ser atacado por um urso, em sua própria casa. Mas o monarca teria sido salvo graças à intervenção de um dos cavaleiros que faziam sua guarda. Agradecido, o rei deu ao seu salvador o título de “Montero”, que também é um tipo de chapéu usado por caçadores, termo que depois se tornou o sobrenome dos descendentes do cavaleiro. Hoje em dia, Monteiro é um sobrenome comum em Angola, Portugal e Cabo Verde. No Brasil, é o 47º sobrenome mais frequente.


MORAES


615.295 brasileiros(as) têm esse sobrenome


A origem mais provável desse sobrenome são as palavras em espanhol antigo “morales”, ou moral, sinônimos de amoreiral, “lugar onde há amoreiras”. Também é possível uma aproximação com o termo murales, que significa “muros”, indicando a origem geográfica dos Moraes. O Brasil tem registros de famílias indígenas, africanas e de origem judaica que adotaram esse sobrenome, que hoje é o 45º mais comum do país.

MOREIRA


846.713 brasileiros(as) têm esse sobrenome


De origem portuguesa, é derivado da amoreira, árvore da família das moráceas (Morus nigra), que produz a amora. É um exemplo de sobrenome com raízes toponímicas, ou seja, que herda características do local de onde surgiu – foi inspirado na freguesia de Santa Maria de Moreira, em Portugal. Registros do século 18 relatam que cristãos-novos adotaram esse sobrenome para não serem condenados na Inquisição. Hoje, Moreira é o 28º sobrenome mais comum do Brasil, e o 27º de Portugal.


MOURA


544.924 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Sobrenome de origem portuguesa que faz referência à cidade de Moura, pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo. A palavra em si traz origens relacionadas aos mouros, antigos habitantes árabes do norte da África. De fato, não é possível remontar a genealogia dessa família em bases documentais anteriores ao século 15, mas registros orais contam que o sobrenome foi adotado por cristãos-novos perseguidos e condenados pela Inquisição.


NASCIMENTO


1.005.088 brasileiros(as) têm esse sobrenome


De origem portuguesa e natureza essencialmente religiosa, esse sobrenome era inicialmente usado pelos cristãos que nasciam no dia 25 de dezembro, em homenagem ao nascimento de Jesus Cristo. Alguns pesquisadores acreditam que o termo também possa ter relação com Nassau, sobrenome bastante comum na Holanda. Curiosamente, no Brasil, maior país católico do mundo, hoje em dia, Nascimento é o 25º sobremome mais comum.


NUNES


807.934 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Esse sobrenome de origem luso-espanhola pode ser entendido como “descendentes de Nuno”, já que faz referência ao nome próprio do fundador desse tronco familiar. Nuno talvez seja uma derivação do latim “nonnus”, palavra carinhosa usada pelas crianças para dizer “pai”. No Brasil e em Portugal, Nunes é atualmente o 30º sobrenome mais comum.

OLIVEIRA


3.738.469 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Há várias origens prováveis desse sobrenome português, mas todas remetem, de fato, ao que você está imaginando. Oliveira tem uma raiz geográfica, que faz referência à árvore da azeitona, registrada no português arcaico como “olveira”. Esse é o 3º sobrenome mais comum do Brasil (e o 6º de Portugal), sem contar a variante “de Oliveira”, que soma mais 500 mil brasileiros.


PEREIRA


2.251.864 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Pereira é o 8º sobrenome mais comum no Brasil. Os estudos desse sobrenome remontam ao português Rodrigo Gonçalves de Pereira, que após prestar serviços a dom Henrique de Borgonha (conde de Portucale entre 1096 e 1112), recebeu como pagamento as propriedades de Palmeira e Pereira – nome com possível referência a uma plantação de peras.


RAMOS


736.466 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Duas origens levam à explicação do sobrenome Ramos: a de maior consenso é de ordem religiosa, como referência ao Domingo de Ramos, data que celebra o dia em que Jesus entrou em Jerusalém, narrado nos quatro Evagelhos da Bíblia. Outra possível origem é de natureza geográfica, já que muitos locais em Portugal recebiam o nome de ramos. Além do Brasil e de Portugal, Ramos também é adotado por muitas famílias do México, Peru, Espanha, Cuba e Venezuela.


REIS


672.438 brasileiros(as) têm esse sobrenome


De origem portuguesa, esse sobrenome expressa a devoção religiosa do povo cristão. Tanto em Portugal quanto no Brasil existem várias famílias “dos Santos Reis”, bem como sobrenomes formados pelo nome de um dos Reis Magos, seguido por Reis, como “Belchior dos Reis” ou “Baltasar dos Reis”. Grafado sozinho, Reis é o 40º sobrenome mais comum do Brasil, muito frequente em famílias estabelecidas no Rio de Janeiro.

RIBEIRO


1.594.896 brasileiros(as) têm esse sobrenome


O próprio significado de ribeiro explica a origem latina desse sobrenome. A palavra vem do latim “ripariu”, que significa “rio pequeno”, mostrando uma origem geográfica para esse topônimo. Dom Ramiro, último regente do reino de Leão, foi um dos primeiros membros da família Ribeiro em Portugal. No Brasil, o sobrenome foi adotado também por indígenas e africanos. Atualmente, é o 12º sobrenome mais comum no Brasil, e o 13º em Portugal.


ROCHA


1.034.057 brasileiros(as) têm esse sobrenome


A origem do sobrenome Rocha


A origem do sobrenome Rocha Ana Matsuaki e Rômolo/Mundo Estranho


Junto ao sinônimo “da Rocha”, esse sobrenome ocupa a 22ª posição no ranking dos mais comuns do Brasil. Sem uma origem documentada, é possível que ele tenha surgido de Monseur de la Roche, um francês que teria migrado para Portugal durante o reinado de dom Afonso III, por volta de 1248. Outra origem possível é de pessoas que nasceram em locais rochosos, com uma explicação de natureza geográfica.


2.399.459 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Com registros originários de Portugal, Rodrigues é o 5º sobrenome mais comum do Brasil e significa literalmente o “filho de Rodrigo”, devido ao sufixo “es”. Mas a origem do termo, na verdade, é espanhola: a forma Rodríguez (com “ez” no final) é o sobrenome mais frequente em diversos países de colonização espanhola, como Colômbia, Venezuela, Cuba, República Dominicana, Uruguai e Costa Rica. No censo norte-americano de 2000, Rodríguez aparece em 9º lugar, confirmando a crescente influência da comunidade hispânica nos EUA.


SANTANA

721.615 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Com forte influência religiosa, Santana deriva de Santa Ana (ou Sant’Ana), com referência à avó de Jesus Cristo, mãe da Virgem Maria. O sobrenome foi trazido ao Brasil por uma família de origem espanhola, que chegou em 1882 a bordo do vapor África, procedente das Ilhas Canárias. Hoje em dia, é o 37º sobrenome mais comum por aqui.


SANTOS


3.981.191 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Esse é o 2º sobrenome mais comum no Brasil e em Portugal (sem contar o pessoal que assina “dos Santos”, que somam 706 mil brasileiros). De origem religiosa, deriva da palavra latina “sanctus”, que significa “santo” ou “consagrado”. Um dos ramos dessa família pode ter se originado da Sierra de los Santos, localizado na Andaluzia, sul da Espanha. Durante a era medieval, Santos também era o nome dado às pessoas que nasciam no dia 1º de novembro, ou seja, no Dia de Todos os Santos.


SILVA


5.073.774 brasileiros(as) têm esse sobrenome


É o sobrenome mais comum no Brasil e em Portugal, onde teve origem. A variação “da Silva” ocupa a 22ª colocação, com pouco mais de 1 milhão no Brasil. Mas a origem de ambos é a mesma: como um sobrenome toponímico (de origem geográfica), deriva do termo latino silva, que significa “selva” ou “floresta”. Com a presença dos romanos na Península Ibérica, muitos lusitanos incorporaram Silva ao nome próprio. Séculos depois, grande parte carregava o termo quando chegou ao Brasil, engrossando os números com a abolição da escravatura.


SOARES


1.233.230 brasileiros(as) têm esse sobrenome


O “es” no final de Soares dá uma dica de sufixo patronímico, ou seja, indicando que ele é “filho de” – neste caso, do nome próprio Soeiro. Há quem aponte uma possível ligação com o nome Soariu, de origem incerta. Curiosamente, esse sobrenome é o mais popular no Timor-Leste, com 35 mil pessoas registradas. No Brasil, é o 17º mais frequente.

SOUZA


2.630.114 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Escrito com “z”, “s” ou com “de” no início? Essa deve ser uma pergunta comum a quem assina esse sobrenome. A versão Souza é a mais comum no Brasil – é o 4º sobrenome mais frequente no país. Já os Sousas reúnem quase 830 mil pessoas (é o 29º sobrenome mais frequente aqui), enquanto quem assina “de Souza” são mais de 450 mil. Mas a origem de todos é a mesma: vêm do latim “saxa”, que significa algo como “seixo” ou “rocha”. A palavra latina sofreu uma mudança no português arcaico para “sausa” e depois evoluiu para “sousa”. Mais tarde, no Brasil, passou a ser registrada com “z”.


TEIXEIRA


676.397 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Os Teixeiras buscaram inspiração no teixo, árvore da família das taxáceas (Taxus baccata). Essa árvore de folhas e sementes venenosas é cultivada como planta ornamental e frequentemente usada como cerca viva. O registro mais antigo que se tem notícia é de origem portuguesa, adotado no século 12 por dom Hermígio Mendes de Teixeira. Hoje em dia, é o 39º sobrenome mais comum no Brasil, e o 20º em Portugal.


VIEIRA


1.095.381 brasileiros(as) têm esse sobrenome


Do latim “veneria”, vieira é um molusco de carne branca com duas conchas em forma de leque. Uma lenda conta que Caio Carpo, durante a Roma antiga, levou para a Galícia o corpo do apóstolo Santiago, que após ser morto apareceu coberto de vieiras. Hoje, Vieira é o 20º sobrenome mais frequente no Brasil.

VASCONCELOS


Vasconcelos é um sobrenome de origem portuguesa. Ele é classificado como um toponímico, ou seja, de origem geográfica. Deriva dum lugar no distrito de Braga. O primeiro Vasconcelos que se tem notícia foi D. João Pires de Vasconcelos, um português que teria ajudado a conquistar Sevilha a mando do rei D. Fernando no ano de 1248. Existiu uma Torre de Vasconcellos (também conhecida como Casa dos Mouros), situada na freguesia de Ferreiros (distrito de Braga).


CAVALCANTI: A SAGA DA MAIOR FAMÍLIA DO BRASIL


Como o casamento entre um nobre florentino e uma mameluca pernambucana deu origem ao poderoso clã dos Cavalcantis, a maior família do país


Milhares de turistas brasileiros que visitam Florença para conhecer sua famosa catedral ou admirar as obras da Renascença na Galeria Uffizi não costumam prestar atenção na placa de rua da Via Porta Rossa, uma pequena travessa da Via dei Calzaiuoli – essa, sim, conhecida, por causa de suas lojas, como a mais animada da cidade. Logo abaixo da placa de mármore da Via Porta Rossa, há outra menor, indicando que a rua já foi chamada de Via Cavalcanti, nome de uma tradicional família florentina cujos antepassados enriqueceram com o comércio e, entre os séculos 11 e 16, ocuparam postos importantes na cidade. Dentre os Cavalcantis de Florença, o que ficou mais conhecido foi o poeta Guido Cavalcanti, amigo de Dante Alighieri, que não apenas lhe dedicou um soneto como também citou a família na Divina Comédia (ainda que tenha colocado os Cavalcantis no inferno, assim como a maioria das famílias ricas de Florença). Após o século 16, contudo, o sobrenome Cavalcanti entrou em declínio na Europa e hoje é difícil encontrá-lo na cidade italiana. Em compensação, quando o jovem florentino Filippo Cavalcanti decidiu atravessar o Atlântico em algum momento da década de 1560 para operar engenhos de açúcar em Pernambuco, ele fundou, sem saber, aquela que hoje é considerada a maior família brasileira.


Maior família brasileira? Mas esse posto não deveria pertencer aos brasileiríssimos “Silva”? “Na verdade, o sobrenome Silva é mais numeroso, mas os Silvas são oriundos de famílias diferentes, enquanto os Cavalcantis descendem todos do mesmo ancestral”, afirma Carlos Barata, autor do Dicionário das Famílias Brasileiras e presidente do Colégio Brasileiro de Genealogia.

Ele concluiu que a família Cavalcanti (ou Cavalcante, a variante aportuguesada) é a maior do país após pesquisar por mais de dez anos os descendentes das primeiras famílias a chegar ao Brasil. “Tomei como ponto de partida as famílias brasileiras no início da colonização e identifiquei o número de descendentes por volta do século 17”, diz o genealogista. “Nesse período, os descendentes de Filippo Cavalcanti já apareciam às centenas, numa expansão impressionante.” Mas, afinal, qual a origem de Filippo Cavalcanti e o que o teria feito trocar Florença, uma das cidades mais ricas do mundo, pela distante Pernambuco?


Se hoje os consumidores aguardam com ansiedade por um novo lançamento da Apple, no século 16 boa parte do mundo desejava os produtos importados por Florença. Centro artístico e financeiro do planeta, as casas de comércio da cidade tinham sucursais espalhadas pelas principais capitais europeias, de onde negociavam artigos de luxo, como tecidos caros, obras de arte de grandes artistas da Renascença.


E, especialmente, faziam empréstimos e outras transações financeiras que deram origem aos bancos modernos. Uma dessas casas florentinas que operam em Londres, a Bardi e Cavalcanti, era comandada pelo pai de Filippo, Giovanni Cavalcanti, e tinha como principal cliente o próprio rei da Inglaterra. Além de famoso pelos 6 casamentos, Henrique 8º era músico e poeta. Enfim, um monarca de gosto refinado e ávido por trazer à sua corte um pouco do esplendor artístico das cidades italianas. Para isso, contava com Giovanni, que mantinha correspondência com gente como Michelângelo e é citado pelo primeiro biógrafo dos artistas italianos, Giorgio Vasari, no livro As Vidas dos Artistas, pela encomenda de uma obra do pintor Rosso Fiorentino. Recentemente, o pesquisador Marcelo Bezerra Cavalcanti, coautor do livro Os Cavalcantis: na Itália, no Brasil, encontrou num arquivo de Florença uma carta de Henrique 8º endereçada a Giovanni em solidariedade a um confisco de bens de que sua casa comercial fora alvo em Florença.

Mas, se a vida de Giovanni Cavalcanti é relativamente bem conhecida, as razões que trouxeram seu filho Filippo ao Brasil permanecem vagas. Sabe-se que em 1558 ele se encontrava em Lisboa quando pediu uma Certidão de Nobreza ao duque Cosimo de Medici, que respondeu atestando que os Cavalcantis em Florença “resplandecem com singular nobreza e luzimento”. Enfim, uma carta de recomendação importante em um tempo em que a linhagem familiar valia bem mais para o mundo dos negócios do que hoje vale um MBA de Harvard. Até agora, há duas hipóteses sobre a viagem do jovem Filippo ao Brasil – e não necessariamente excludentes. A primeira, clara, era o interesse no comércio de açúcar, que apesar da recente expansão de produção ainda era considerado um artigo de luxo na Europa. O historiador Sérgio Buarque de Holanda, após viver dois anos na Itália na década de 1950, ensinando na Universidade de Roma, escreveu um artigo sobre os projetos de colonização e comércio toscanos no Brasil durante o tempo do grão-duque Fernando I (1587-1609), mostrando como a costa brasileira já estava na mira dos italianos há tempos. Antes mesmo de o Nordeste se tornar uma potência mundial na produção do açúcar, o interesse comercial dos italianos nas técnicas de plantio, produção e refino fez com que muitos viajassem para as ilhas portuguesas no Atlântico, que serviram de modelo para a futura colonização do Nordeste. Assim como fariam mais tarde os holandeses, comerciantes de Gênova, Florença e Veneza eram especialistas na importação desses artigos do Novo Mundo para reexportá-los com boa margem de lucro para o resto da Europa.


Além do interesse no açúcar, outro motivo que pode ter trazido Filippo ao Brasil foi buscar refúgio das sanguinolentas disputas de poder em Florença, descritas pela primeira vez com realismo anos antes por Nicolau Maquiavel. No lugar de um poder central forte nas mãos de um monarca, a exemplo de outros nascentes Estados europeus, como Portugal, França e Espanha, o poder na instável República Florentina só era alcançado por meio de conchavos e arranjos políticos bancados pelas famílias mais ricas da cidade. Em meio a esse sistema de rodízio de mando, nem mesmo a toda-poderosa família Medici estava livre de golpes, conspirações e tentativas de assassinato, que ocorriam em qualquer lugar. Em 1478, por exemplo, o jovem Juliano de Medici foi assassinado em plena catedral de Florença, alvo de um atentado planejado pela família Pazzi – que também pretendia matar o irmão de Juliano, Lorenzo de Medici, que se salvou ao conseguiu se esconder na sacristia. Em 1559, ano em que Filippo Cavalcanti já estava em Lisboa, outra conspiração contra os Medicis, desta vez para assassinar o grão-duque Cosimo 1º, foi descoberta a tempo.

Conhecida como conspiração Pandolfo Pucci (pelo membro da família Pucci que tomou parte e foi condenado à morte), o planejamento teria contado com participantes de outras famílias, incluindo Bartolomeu Cavalcanti, parente de Filippo. “Ainda que Filippo Cavalcanti não tenha tido nenhuma ligação com o atentado, era prudente que permanecesse longe de Florença”, diz a historiadora Rosa Sampaio Torres, que estuda as ligações dos clã com os movimentos políticos da época. Segundo a historiadora, a trajetória republicana dos Cavalcantis em Florença teria influenciado os movimentos de inconformismo político que marcariam Pernambuco nos séculos seguintes, por exemplo.


Motivações políticas à parte, o fato é que, no Brasil, Filippo Cavalcanti tratou logo de arranjar uma noiva para se associar às famílias importantes da região. E a jovem Catarina de Albuquerque preenchia tais requisitos. Filha do português Jerônimo de Albuquerque (cunhado de Duarte Coelho, donatário de Pernambuco) com a índia Tabira, Catarina era uma legítima mameluca brasileira. Conta a história que sua mãe salvou Jerônimo de ser morto pelos tabajaras após o capitão português ser atingido em um dos olhos por uma flecha. Ao casar com a índia, Jerônimo selou a paz com os índios e batizou a esposa com o nome cristão de Maria do Espírito Santo Arcoverde. Com seu casamento, Filippo Cavalcanti não apenas ingressou na família dos donatários portugueses, como também definiu um dos padrões genéticos das famílias brasileiras, segundo pesquisas da Universidade Federal de Minas Gerais, pelas quais 90% dos brasileiros tinham genes europeus do lado paterno e 60%, genes ameríndios ou africanos por parte de mãe.


No total, Catarina e Filippo tiveram 11 filhos (foram 12, mas o primogênito morreu na infância). Um bom número de descendentes, mas não anormal para a época. O sogro de Filippo, Jerônimo de Albuquerque, teve 24 filhos, o que lhe valeu o apelido de Adão Pernambucano. Apesar de a prole de Jerônimo de Albuquerque ser maior do que a do genro, por algum motivo o sobrenome Cavalcanti aparece em maior quantidade nas gerações seguintes”, diz o genealogista Fábio Arruda de Lima, há mais de dez anos dedicado a pesquisar a origem dos sobrenomes de famílias nordestinas por meio dos engenhos da região.


Para o genealogista Lima, o sobrenome pode ter se espalhado graças a um reforço feminino. “Muitas mulheres preservaram o sobrenome associado ao do marido, formando relações entre os Cavalcantis e outras famílias importantes, com ramos como Holanda Cavalcanti, Albuquerque Cavalcanti e Acioli Cavalcanti, por exemplo.”

Desde que Fillipo recebeu a doação em 1572 de uma sesmaria para montar o primeiro dos 3 engenhos que viria a ter em Pernambuco, os Cavalcantis se expandiram ligados à açucarocracia local, tendo seus engenhos mais tarde descritos nos relatórios da Companhia das Índias Ocidentais, durante o período da invasão holandesa no Nordeste (1630-1654). A tradição perdurou até o século 19, quando um dos ramos da família em Pernambuco passou a ocupar cargos no Império.


É o caso, por exemplo, dos Cavalcanti de Albuquerque, que por mais de uma vez foram presidentes de Pernambuco (o equivalente ao atual cargo de governador), ocuparam cadeiras na Câmara, no Senado e em ministérios importantes de dom Pedro 2º, como o da fazenda e da guerra, e receberam do imperador o título de visconde. De tanto poder, surgiu nesse período uma estrofe que circulava na região: “Quem nasceu em Pernambuco, há de estar desenganado: ou se é um Cavalcanti ou se é um cavalgado”. Quando, na virada do século 19 para o 20, as plantações de café no Sudeste sobrepujaram as de açúcar no Nordeste, os Cavalcantis já haviam se espalhado por todo o país. No momento em que a presença italiana atingiu o apogeu por aqui, quase mais ninguém associava os Cavalcantis ao florentino que, no século 16, saiu da Toscana para fundar engenhos em Pernambuco. Diferentemente dos recém-imigrados da Itália, os Cavalcantis já tinham mais de três séculos de presença no Brasil. Não é à toa que, mesmo quem não tem o sobrenome Cavalcanti pode ser descendente de Filippo. Alguns exemplos: o compositor Chico Buarque de Holanda (descendente dos Holanda Cavalcanti), o escritor Ariano Suassuna (Suassuna foi o nome de um engenho dos Cavalcantis) e o jurista Evandro Lins e Silva. Todos, por sua vez, são primos distantes de PC (Cavalcanti) Farias, do comediante Tom Cavalcante e de outros milhões que tornaram os Cavalcantis uma família brasileiríssima, com ou sem Silva.


O BRASÃO


O brasão original, florentino, era prateado com cruzetas vermelhas. No Brasil, o escudo foi incrementado com outros padrões, como o leão rampante, duas flores-de-lis (um símbolo da origem nobre da família), um elmo de prata com um hipogrifo – criatura lendária com corpo de égua e cabeça de águia.


O POETA


Guido (1255-1300), o mais famoso Cavalcanti florentino, foi amigo de Dante Alighieri, poeta e político célebre.


FONTES: Livros Os Sobrenomes Mais Comuns do Brasil, de Claudio Campacci, O Livro dos Nomes, de Regina Obata, e Ensaios Sobre a Intolerância: Inquisição, Marranismo e Antissemitismo, de Lina Gorenstein e Maria Luiza Tucci Carneiro (org.); sites Forebears, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, Dicionário Aulete Digital, BBC Brasil, Revista de História, Name Your Roots, Heráldica Portuguesa, Instituto Politécnico de Coimbra e Diário de Notícias (Portugal); jornais El País e O Globo; e revista Diadorim (UFRJ)


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